Anunciando a Cristo àqueles que não O conhecem e edificando os seguidores de Cristo sobre o fundamento Bíblico.
domingo, 18 de março de 2018
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018
DEUTERONÔMIO: A Integridade no Texto do Pacto - parte 3/3
As
estipulações específicas, que funcionam como aplicação ou explicação nas
situações específicas do dia a dia (SANTOS, 2016, P. 53), iniciam-se com as
leis referente ao Santuário, as quais são introduzidas pela recorrente
exortação: cumpram estes estatutos e juízos que o Senhor deu, para possuir a
terra! A exigência de integridade em Dt 12 é comprovada pela necessidade de se
destruir todos os lugares de adoração idólatra (v.2-3) e pela proibição de
cultuar a Deus a semelhança da adoração Cananéia aos deuses pagãos, inclusive
pelo sacrifício humano. (v.30-32). O Senhor tem preceitos para todas as áreas
da vida de Seu povo, inclusive para a alimentação (v.15-19; 14.1-21), dízimos
(14.22-29), perdão de dívidas, libertação de escravos, dedicação das primícias
do rebanho (15.1-23) e festas religiosas (16.1-17). Desta feita, torna-se claro
que Deus tem total interesse na vida religiosa, familiar e social de Seu povo.
A manutenção
da integridade é vista no capítulo treze. O falso profetismo é algo seríssimo e
pode levar o povo do Senhor a um afastamento da obediência e santidade, por
isto, todos que estivessem sendo instrumentos de desvios deveriam morrer, até
mesmo os parentes mais próximos deveriam apedrejar o culpado (v.6-11). Uma
cidade toda deveria ser destruída, caso fosse levada a idolatria por homens
malignos. De fato, Deus leva muito a sério a lealdade absoluta de Seu povo.
A pena de
morte como punição para a violação da aliança é novamente segurada. Outras
diversas prescrições da parte do Senhor são dadas: escolha de reis; herança dos
levitas; punição para feiticeiros e falsos profetas; cidades de refúgio; uso de
testemunhas; procedimentos na guerra; julgamento de homicídio; casamento com
mulheres de povos conquistados; filhos rebeldes; relacionamentos interpessoais;
pessoas proibidas de entrar na congregação, além de outas áreas tratadas (Dt
17-26), tudo isto visando a integridade perante o Senhor por meio de uma
obediência amorosa, o que traria como consequência as bênçãos e a proteção
divinas (26.16-19).
A cerimônia
de ratificação do pacto é descrita no capítulo 27. No início do capítulo é
ordenada a construção de um altar e a escrita do livro da lei ao atravessar o
Jordão. Moisés estabelece o monte Gerizim para o anúncio das bênçãos e o monte
Ebal para o pronunciamento das maldições. As bênçãos e as maldições, devido a
integridade ou falta de integridade, são detalhadas no capítulo 28.
Os termos da Aliança (Dt 29-30)
Nestes dois capítulos, “Moisés especifica os
detalhes do pacto sob o qual os israelitas entrariam [e permaneceriam] na terra
prometida” (RYRIE, 2006, p.198). Estando todos perante o Senhor, Moisés,
convoca-os a uma resposta leal, tendo por base a fidelidade absoluta do Deus de
Israel. O próprio Senhor se interpôs por julgamento (29.12), mostrando assim a
garantia de Sua integridade para com o pacto. Aquela nova geração estava se
comprometendo com Deus e testemunhando a palavra de compromisso e juramento do
Senhor, como Ele já havia feito com os patriarcas e as gerações passadas
(29.13). Igualmente, por meio da identificação genealógica, aquela geração
presente nas planícies de Moabe estava comprometendo as próximas gerações com o
Senhor (29.14-15).
A idolatria é
mais uma vez condenada e o Senhor adverte para que qualquer raiz de idolatria,
que traga consequências amargas para o povo do pacto, seja completamente erradicada
(29.16-18). Qualquer pensamento curvo, que leve alguém a acreditar que viverá
bem, apesar da perversidade pessoal, será julgado e terá a ira de Deus como
consequência em sua vida (29.19-20). De fato, o Senhor se dispõe a derramar
abundantemente a Sua justa ira, caso o povo venha a desprezar a aliança feita
com o Senhor, isto será um grande espanto para todas as nações que destas
coisas testemunharem (29.24-28).
Dentre as
maldições previstas para os infiéis e desobedientes, está o cativeiro (o que
foi concretizado na história de Israel). No entanto, movido por sua Misericórdia,
o Senhor prometeu trazer de volta o Seu povo do cativeiro, caso haja a
verdadeira contrição e arrependimento. Evidentemente, da mesma forma como a
falta de integridade traria graves consequências, a presença da integridade
trará restauração (30.1-20). É exatamente neste contexto de arrependimento e
restauração, que somos informados de algo fundamental, a saber, a transformação
interna e completa não é obra meramente humana, depende da volição e do agir de
Deus (30.6).
A despedida de Moisés e a exaltação da integridade de Deus (Dt 21-34)
A fidelidade
do Senhor mais uma vez seria provada pelo fato de que Ele passaria adiante do
Povo, destruiria as nações inimigas e daria a terra como herança aos filhos de
Abraão (31.3,8). Da parte do povo a lealdade seria exigida. Deveriam ler
periodicamente o livro da lei, para todo o povo, como uma forma de ensinar as
gerações posteriores a respeito do Senhor, a fim de que eles O temessem e O
obedecessem todos os dias de suas vidas (31.10-13).
Infelizmente,
em meio a toda esta afirmativa de compromisso e lealdade da parte do povo, o
Senhor revela a Moisés que rapidamente eles iriam se corromper e abandonar a
integridade perante o Senhor, quebrando assim a aliança que fizera com Ele
(31.16).
Em meio a
tudo isto, Moisés, antes de sua partida, ensinou um cântico de exaltação a Deus
a toda aquela geração, para que, todos conhecessem e transmitisse os estatutos
e juízos do Deus verdadeiro, pois das Palavras do Senhor dependia a vida de
cada um deles (32.46-47). Finalmente, Moisés profere palavras de bênçãos as
tribos de Israel, sobe ao monte Nebo, contempla a terra prometida e, aos cento
e vinte anos morre perante o Senhor e o Senhor mesmo sepulta o corpo do Seu
mensageiro e nomeia Josué como sucessor.
Vimos até
aqui, panoramicamente, que cada capítulo do livro de Deuteronômio pode ser
visto a luz da integridade de Deus e de Sua exigência de integridade por parte
de Seu povo.
RYRIE, Charles C. A Bíblia anotada: edição expandida. Tradução de Susana Klassen. São Paulo:
Mundo Cristão, 2006.
SANTOS, Pedro E. C. Exegese
em Deuteronômio. Natal: SIBB, 2016 “material não publicado”.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2018
DEUTERONÔMIO: A Integridade no Texto do Pacto - parte 2/3
Esta etapa do
livro de Deuteronômio também começa com um chamado a todo o Israel, a fim de
ouvir, aprender e obedecer aos estatutos e juízos do Senhor (5.1). Aqui, como
em 1.1 e ao longo do livro, pode-se perceber que “todos os israelitas estavam
obrigados como membros da comunidade da aliança” (CRAIGIE, 2013, p.144), porém,
a ênfase no ouvir e na obediência mostra a importância do aspecto individual
desta obrigação. Moisés, como mediador da aliança, era igualmente devedor de
uma vida íntegra diante de Seu Deus (5.31-33).
O capítulo 5
funciona como uma espécie de eixo para o livro de Deuteronômio. Este capítulo
trata do decálogo, as exigências mais básicas e gerais da aliança
deuteronomista. O decálogo foi dado pelo próprio Deus no Sinai, o qual não fora
revogado a pesar da infidelidade de Israel por todo o percurso no deserto. De
fato, a aliança no Sinai é a base do relacionamento entre Deus e Israel, por isto
foi citado em 5.2-3. No entanto, “deve-se insistir no fato de que a aliança era
mais do que uma lista de estipulações. Era fundamentalmente um relacionamento
entre Javé e Israel (cf. 4:13,14)” (THOMPSON, 1982, p.109).
O capítulo 6
discorre sobre aquele que Jesus viria a afirmar ser o maior de todos os
mandamentos (Mc 12.29-30). De uma forma ainda mais enfática, a ordem de
guardar, transmitir e cumprir todos os estatutos do Senhor é repetida também
neste capítulo (v.1-3). Veja que a ideia é cumprir todos os mandamentos do Senhor por todos os dias da vida, os quais seriam proporcionalmente
multiplicados na terra em que passariam a habitar, ou seja, o amor e a
obediência a Deus daria ao povo de Pacto o privilégio de permanecer habitando e
desfrutando da Terra prometida.
O amor ao
Senhor deveria ser integral, nas palavras de Moisés, “de todo o teu coração, de
toda a tua alma e de toda a tua força” (6.5). Como consequência direta do amor
ao Senhor, estaria o apropriar-se dos mandamentos do Senhor e o transmitir às
gerações futuras (6.6-7). O grande mandamento é dado com uma enfática
advertência: quando estiverem bem, na terra que eu te der, guarda-te, para não
esquecer do Senhor e incorrer na idolatria (6.12-14). O Senhor é zeloso e não
deixará de trazer a disciplina, como fez na peregrinação, no deserto (6.15-16).
A integridade deveria ser necessariamente demonstrada pelo amor ao Senhor e
pela obediência a Ele, assim, o Senhor responderia com justiça e provisão
(6.24-25).
O capítulo 7
traz outra exigência de Deus para o Seu povo: para desfrutarem de toda a terra
que te dou, terão que destruir todos os cananeus. Sabedor de que a soberba
poderia macular o povo da aliança, o Senhor deixa evidente que os favores
concedidos a eles se dão pela escolha do Senhor e não por seu valor intrínseco
(7.6-8). A escolha por parte do Senhor intensifica ainda mais a necessidade de
resposta obediente por parte do Seu povo. Assim, os israelitas deveriam não
apenas derrotar os povos inimigos do Senhor (pois Deus estaria trazendo juízo
sobre cada um deles), como também guardar os demais mandamentos do Senhor
(7.11) e odiar aquilo que o Senhor detesta (7.25).
A verdade fundamental no livro de Deuteronômio
(a obediência como pré-requisito para usufruir da terra) é, mais uma vez,
enfatizada (Dt 8), pela necessidade de se recordar os feitos do Senhor pelo
deserto. Desta vez, o propósito do Senhor nestes 40 anos é revelado: humilhar,
provar e revelar o que estava no coração de cada israelita (8.2). Porém, a
bondade e a provisão do Senhor os acompanhou por todo o período de provação
(8.3). Sendo assim, a aplicação imediata gira em torno da importância de não
esquecer do Senhor que te redimiu da escravidão do Egito (v.11), caso
contrário, seriam destruídos da mesma forma que as outras nações.
O capítulo 9
lembra a obstinação do povo de Israel e sua facilidade e rapidez em se
corromper e quebrar a aliança feita com o Senhor (v.12,16,24). Diante destes
fatos, o Senhor afirma aquilo que requer do Seu povo: temor, obediência, amor e
serviço (10.12). Como veremos posteriormente, o capítulo 10 é chave para o tema
“integridade”, por isto, nos deteremos um pouco mais posteriormente.
O capítulo 11
encerra a sessão relembrando o que o Senhor fez aos Egípcios e aos infiéis Datã
e Abirão, no deserto. Estes exemplos serviram de alerta para o povo da aliança
cuidar do próprio coração (v.16), a fim de não se desviar do Senhor em busca de
outro deus que supostamente trariam chuva e bênçãos para a terra. Tais atitudes
trariam sérias consequências para a terra e principalmente para o povo (v.17).
Sabedor de que o povo poderia rapidamente se desviar e recorrer a Astarote
(mesmo que ocultamente), o Senhor adverte que tal prática traria graves
consequências, por outro lado, caso o povo agisse perante o Senhor com
fidelidade, confiança e obediência teriam como consequência em suas vidas,
bênçãos espirituais e naturais.
CRAIGIE, Peter C. Deuteronômio. São
Paulo: Cultura Cristã, 2013.
THOMPSON, J. A. Deuteronômio:
introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 1982.
terça-feira, 28 de novembro de 2017
Refletindo...
A respeito da Bíblia: “Suas doutrinas são santas, seus preceitos são obrigatórios, seus relatos são verídicos, e suas decisões são imutáveis. Lê-a para que te tornes sábio, crê nela para que fiques seguro, e pratica-a para que sejas santo. Ela contém luz para orientar-te, alimento para sustentar-te, e consolo para animar-te. É o mapa do viajante, o bordão do peregrino, a bússola do piloto, a espada do soldado, e a carta magna do crente.”
Autor desconhecido.
DEUTERONÔMIO: A Integridade no Texto do Pacto - parte 1/3

A palavra integridade tem a ver com “característica ou circunstância do que se encontra inteiro; atributo do que não sofreu diminuição; totalidade ou plenitude; 2. (Figurado) Qualidade do indivíduo que é íntegro; peculiaridade de quem é digno, honrado ou honesto; que não é possível corromper; 3. (Figurado) Designação de quem apresenta comportamentos ou ações que demonstram equidade, dignidade ou honestidade; probidade ou justiça” (“Integridade.” Em: léxico: dicionário de português online).
Na versão portuguesa (Almeida
Revista e Atualizada – ARA) de Deuteronômio a palavra
“todo(s)/toda(s)” (tradução de lk
- e suas variações) aparece em todos os capítulos.
Moisés faz uso desta palavra 230 vezes no livro de Deuteronômio. O
fato de existir tanta repetição desta palavra indica que a
integridade (o todo) estava frequentemente na mente do Escritor
sagrado, e, isto pode ser facilmente perceptível: toda a lei
deve ser lida, aprendida, ensinada, obedecida; a obediência a Deus
deve ser em todas as áreas da vida, não apenas visivelmente,
mas também internamente (obediência parcial é desobediência); o
amor a Deus deve ser de todo o coração, toda a alma e
de toda a força, etc.
Em todo o livro de Deuteronômio
é possível enxergar a necessidade de integridade. Nos capítulos
iniciais (Dt 1-4), Moisés mostra que a fidelidade de Deus,
comprovada na história é a razão para a exigência da lealdade e
integridade por parte do povo da aliança. Na sequência (Dt 5-28),
podemos perceber que tanto as estipulações gerais quanto as
específicas, focam, não apenas os atos externos, mas também no
estado do coração, ou seja, Deus exige inteira obediência da parte
do Seu povo, isto é, integridade. Quando os termos da aliança são
“postos à mesa” (Dt 29-30), o povo é convocado a anuir à
aliança em integridade. Por fim (Dt 31-34), temos a despedida de
Moisés, o cântico e a bênção enfatizando a integridade de Deus
em benefício do povo e a necessidade do povo reagir à altura.
Vejamos como o tema “integridade” se desenvolve em todo o livro
de Deuteronômio.
O Prólogo Histórico (Dt
1-4)
Na primeira parte do livro, o
prólogo histórico, após descrever a ocasião do livro e as partes
envolvidas no tratado, YHWH e Israel, o autor destaca os atos de Deus
em favor de Israel.
Já no primeiro versículo do
livro podemos ler que o alvo de Moisés foi alcançar todo o Israel
com suas palavras, ou seja, na íntegra, toda a nação estava sendo
convocada a conhecer e se comprometer com o pacto. A integridade de
Moisés como o mensageiro do Senhor e mediador da aliança é
evidenciada ainda no primeiro capítulo (v.3), quando diz que ele
falou conforme tudo o que o Senhor lhe mandara.
No livro de Êxodo, a geração
passada (em relação à geração em Deuteronômio) havia entrado em
um pacto com o Senhor. Os primeiros versículos de Deuteronômio visa
trazer a memória da nova geração, que apesar da desobediência e
infidelidade deles e de seus pais, YHWH havia se mantido fiel e
absolutamente leal, retirando-os do Egito com mão poderosa, guiando
e protegendo por todo o percurso no deserto e disciplinando Seu povo
com equidade.
Estando nas planícies de Moabe,
na fronteira da terra prometida, o Senhor daria ordens para entrar e
conquistar o território (1.6-8), porém, esta ordem é precedida por
uma exortação: Seus pais não entraram trinta e oito anos atrás
porque foram infiéis, desleais e desobedientes (1.26-27). Apesar de
uma confissão de pecado por parte do povo naquela ocasião (1.41), o
Senhor não os permitiu entrar, pois o Senhor vê o coração e
naquele momento não enxergou integridade por parte do povo da
aliança.
O capítulo 2 registra que
durante toda a peregrinação o Senhor abençoou Israel de todas as
formas (v.7). No entanto, toda aquela geração morreu pela mão do
Senhor devido à desobediência. Ainda assim, chegando em Moabe, o
Senhor trouxe medo a todos os povos e os Israelitas conquistaram,
pelo auxílio do Senhor, as cidades de Hesbom e Basã (2.24-3.11).
Israel não estava apenas diante
da terra prometida, estava também perante o Senhor. Exatamente neste
momento, Israel foi lembrado que a lei de Deus reflete a Pessoa de
Deus, e como fundamento da nação é a base do julgamento de Deus.
No capítulo 4 entendemos que, por mais que Israel jamais deixará de
ser povo de Deus, sua permanência na terra prometida dependeria de
sua obediência e fidelidade a lei de Deus.
Santos afirmou que “o próprio
fato que o livro está na forma e estilo de um texto pactual
pressupõe que o relacionamento pactual entre Yahweh e Israel é o
maior interesse” (2016, p.17), concordamos com o autor e afirmamos
ainda que a fidelidade de Deus não apenas testemunhada pelos
israelitas, mas também indicada e prometida nos termos do pacto,
garantem uma fidelidade absoluta por parte de Deus e exige lealdade
absoluta por parte do povo da aliança.
SANTOS, Pedro E. C. Exegese em
Deuteronômio. Natal: SIBB, 2016 “material não publicado”.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
A INTEGRIDADE COMO EXIGÊNCIA DO PACTO Uma introdução ao livro de Deuteronômio
O
título deste livro em português (“Deuteronômio”) é um tanto
enganoso. Seu significado literal é “segunda lei”, o que tem
gerado duas ideias opostas e ao mesmo tempo errôneas: 1. O livro se
trata de uma repetição da lei (SANTOS, 2016, p.1); 2. O livro traz
uma nova lei, em relação ao que foi dada no Sinai (CRAIGIE, 2013,
p.17).
No
entanto, o título hebraico deste livro é bem mais apropriado, pois
consiste nas primeiras palavras do livro “Estas são as palavras”
(Dt 1.1). De fato este título descreve melhor o conteúdo do livro,
pois, “a maior parte do livro consiste das palavras que Moisés
dirigiu a Israel imediatamente antes da entrada na terra prometida”
(CRAIGIE, 2013, p.17).
O
estilo do livro de Deuteronômio é homilético, com um forte tom
exortativo, visando levar a congregação de Israel ao compromisso e
obediência ao Senhor por meio da aliança. Deuteronômio, como um
texto pactual, segue os padrões dos tratados formais de sua época,
como o tratado hitita, mas esta literatura vai além de um mero texto
pactual, pois inclui discurso de despedida de Moisés, itinerários,
narrativas, exortações, hinos etc,
Deuteronômio tem um gênero bem variado (SANTOS, 2016, P.8).
É imprescindível lembrar que, a semelhança dos tratados
vassalo-suserano da época, a aliança com o Senhor já havia sido
realizada por uma antiga geração, no Sinai, e agora estava sendo
reafirmada pela nova geração.
A
aliança no Sinai fora feita entre o Senhor e uma nação libertada
da escravidão do Egito e prestes a atravessar o deserto rumo a
terra prometida, jornada esta que poderia ter durado algumas semanas,
entretanto durou trinta e oito anos devido a desobediência e falta
de confiança do povo da aliança. Apesar de todo o Israel ter anuído
à aliança com o Senhor, durante todo o percurso, desde o Sinai até
as planícies de Moabe, demonstraram falta de compromisso e lealdade.
Por outro lado, Deus sempre se manteve fiel à aliança com seu povo
e demonstrou misericórdia e bondade por amor aos patriarcas e aos
remanescentes fiéis. Por toda a jornada pelo deserto, o Senhor os
conduziu em segurança, suprindo cada uma de suas necessidades.
Agora,
o povo da aliança estava nas Planícies de Moabe, prestes a
atravessar o Jordão e conquistar os cananeus (que estavam
amedrontados) para tomar posse da Terra prometida a seus pais. Os
israelitas adultos desta época não faziam parte da geração
passada que fizera aliança com o Senhor, por isto a necessidade de
renovação da aliança. Outra razão para esta necessidade se deu
pelo fato de que os judeus passariam a ter um modo de vida
radicalmente diferente do que tivera anteriormente durante a
peregrinação, estariam vivendo de forma fixa em um ambiente que
brevemente se tornaria urbano. Tudo isto evidencia a necessidade de
novas instruções e da renovação da aliança. Esta nova geração
precisava conhecer suas origens e compreender cada termo da aliança
para igualmente anuir ao pacto com o Senhor (MERRIL, 2009,
pp.378-379).
A
renovação era especialmente necessária porque Moisés, o mediador
da aliança, estava prestes a morrer, por isto, além da renovação,
fez-se necessário um registro escrito dos termos da aliança – o
pentateuco, especialmente o livro de Deuteronômio. A pessoa de
Moisés era intimamente ligada à aliança, como supõe Craigie “para
muitas pessoas, a pessoa de Moisés e a aliança devem ter parecido
inseparáveis” (2013, p.29). A renovação da aliança indica que o
líder, de fato, da nação é Deus, não Moisés. Em seus últimos
momentos, Moisés exorta o povo à sinceridade, obediência e
lealdade a Deus e ao Seu novo co-regente Josué,
pois disto dependia a vitória sobre os inimigos e a permanência na
terra prometida.
A
chamada aliança Mosaica, é do gênero suserano-vassalo, e como diz
Santos, “uma aliança feita entre um Grande Rei e um povo vassalo
deve ser renovada por seus sucessores com o passar das gerações”
(2016, p.6). Nas palavras de Craigie, a aliança entre Deus e seu
povo
era
a constituição da teocracia. Deus era rei e havia,
para si mesmo, resgatado seu povo
do Egito. O povo, que tudo devia a Deus, teria de se submeter a ele
em uma aliança de amor [...] Enquanto os outros pequenos Estados
políticos serviam como vassalos do Egito ou do Império hitita, os
israelitas deviam lealdade somente ao seu suserano Deus (2013,
p.19,23).
CRAIGIE,
Peter C. Deuteronômio. São Paulo: Cultura Cristã, 2013.
MERRILL,
Eugene H. Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Shedd,
2009.
SANTOS,
Pedro E. C. Exegese em Deuteronômio. Natal: SIBB, 2016
“Material não publicado”
Revista Ênfase Cristã - 3ª edição.
Saiu a nova edição da Revista Ênfase Cristã. Desta vez, o periódico traz como destaque o tema "Dispensacionalismo" por meio de uma enriquecedora entrevista com o Professor Michael Vlach.Acesse o link e aproveite este e outros conteúdos para a sua edificação.
https://issuu.com/revistaenfasecrista/docs/revista_enfase_crist___3_-_edi____o
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