terça-feira, 13 de janeiro de 2015

OPINIÃO FORMADA OU UMA METAMORFOSE AMBULANTE?


Pr. Charles Bronson

O “maluco beleza”, Raul Seixas, marcou uma geração por sua lucidez em entender os sistemas de pensamento que o rodeavam a ponto de questioná-los e influenciar outros no mesmo sentido. Fazia isso através de suas composições e interpretações semeadoras de cosmovisões.
O termo cosmovisão é tradução da palavra alemã Weltanschauung, que significa "modo de olhar o mundo" (welt, "mundo"; schauen, "olhar"). “É um conjunto de pressuposições [hipóteses que podem ser verdadeiras, parcialmente verdadeiras ou inteiramente falsas] que sustentamos [consciente ou inconscientemente, consistente ou inconsistentemente] sobre a formação básica do nosso mundo.” (James W. Sire).
De forma genial, Nancy Pearcy define cosmovisão como um mapa mental que nos diz como navegar de modo eficaz no mundo. E são muitas as opções para os viajantes: positivismo, liberalismo, marxismo, humanismo, pós-modernismo etc. Alguns destes mapas, obsoletos para uns, sempre úteis para outros.  
Esses muitos “ismos” servem como uma “caixa de ferramentas filosóficas abarrotada de termos e conceitos”, montando um padrão de ideia e comportamento humanos. Observemos, em síntese, o perfil de um deles, o pós-modernismo – uma das de ferramentas filosóficas mais utilizadas em nossos dias.
Uma alternativa ao pensamento moderno, ainda que hoje, anda em paralelo. Trata-se de um conceito muito amplo, ainda em construção, mas que já tem desconstruído muitas estruturas de pensamento, redefinindo conceitos e reinterpretando leituras de mundo.
O Pós-Modernismo é, principalmente, uma abordagem epistemológica (trata da natureza e a justificativa para o conhecimento/verdade). Busca a resposta para perguntas do tipo: Como sabemos o que sabemos? Como saber se o que sabemos é verdade?  O filósofo cristão J. P. Moreland explica que esse mapa mental, representa uma forma de relativismo cultural sobre coisas como a verdade, a realidade, a razão, os valores, o significado linguístico, o 'eu' e outras noções.
Comemora a queda dos pilares absolutos e erguem fortes bases fincadas no relativismo ou pluralismo como sustentação da mentalidade humana. Sua versão religiosa, em síntese, se manifesta nos chavões: “Fé é, por definição, individual e subjetiva!” ou “Qualquer crença é a verdade, se ela for verdadeira para mim!”. Uma rejeição enfática a qualquer afirmação de verdade absoluta.
            Diante disso, o crente precisa ter em mente uma cosmovisão bíblica. Ser capaz de ler o mundo com as lentes da fé cristã e quando navegar em mares desconhecidos não se deixar levar por qualquer onda de pensamentos, muitos dos quais contrariam a verdade de Deus. Ter a convicção de que os princípios revelados na Bíblia são atemporais, superiores à opinião pública e independem do veredicto de “intelectuais orgânicos” para serem considerados relevantes.
Nesse sentido, o primeiro capítulo do livro de Daniel torna-se uma ferramenta bíblica útil, ao explicar como ele e seus companheiros venceram uma difícil batalha entre cosmovisões. Uma trajetória que serve de referencial para uma mentalidade que conduz a um comportamento para a glória de Deus.
No meio de uma geração que se corrompia, Daniel possuía valores absolutos. O fato de não ter sido devorado na cova dos leões é admirável; mas outro fato também é digno de nota: Daniel não deixou que as cosmovisões que o rodeavam devorassem sua mentalidade, tornando-se mais uma presa do sistema de pensamento babilônico.
O império babilônico era o mais poderoso da época, e a capital Babilônia a cidade sede de um panteão de divindades (idolatria), capital mundial da astrologia e feitiçaria, berço de uma das sete maravilhas do mundo antigo (os Jardins suspensos da Babilônia). Um polo científico do mundo de então. E Daniel era um jovem de reconhecida capacidade intelectual; mas não foi por meio de um “ciências sem fronteiras” do governo de Israel que ele chegou até a Babilônia. Historicamente, era o momento em que as mãos do rei Nabucodonosor tomavam conta de grande parte do mundo antigo em disputa, mas, soberanamente a mão de Deus disciplinava seu povo, Israel, com o triste Cativeiro babilônico.
Quando aconteceu uma seleção do governo (concorridíssimo e de alto nível), Daniel foi um dos poucos aprovados. Daniel entendia o mundo sem absorver o mundanismo. Não demonizou a cultura em si, mas vigiou para não cair nas armadilhas de um ambiente que “jaz no maligno”. Ele rejeitou as “finas iguarias do rei”, porque se deliciava diariamente com alimento da preciosa comunhão pessoal com Deus. Não adotou um mapa mental babilônico, pois não queria se afastar do Senhor.
No ano 539 a.C, o império babilônico ruiu, derrotado pelo exército Persa. Mas, na guerra de cosmovisões, Daniel permaneceu firme na fidelidade a Deus, vencendo os conflitos ideológicos, num campo minado de ideias antibíblicas.
Assim como Daniel, em qualquer geração deste lado da vida, um crente precisará manter-se firme numa cosmovisão bíblica diante de outras leituras de mundo que, de maneira parcial ou inteiramente, ameaçam nosso compromisso com a glória de Deus. Principalmente nesse nosso mundo pós-moderno que elogia com entusiasmo o perfil “metamorfose ambulante” e deprecia com militância os que mantêm “uma velha opinião formada” sobre quase tudo.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

HUMILDE DE ESPÍRITO.
Bem-aventurados os humildes de espírito
Mateus 5:1-3

Esta é a primeira das nove bem-aventuranças proferidas por Jesus no Sermão do Monte. Cada bem-aventurança é composta por uma característica e uma promessa. As características não são exigências para salvação, antes são atributos que devem ser almejados por todo o crente, a partir do seu novo nascimento em Cristo. A plenitude desses aspectos será realidade na vida do crente, apenas no futuro reino Milenar de Cristo.
A expressão “bem-aventurado” remete a alguém que pode dizer-se “quão verdadeiramente feliz; afortunado; ditoso”. Uma experiência que vai além da emoção superficial. É o bem-estar concedido por Deus aos fiéis, independentemente das circunstâncias. Nela, Jesus nos ensina a Sua maneira para que seus filhos alcancem a alegria verdadeira que procede apenas dEle mesmo.
Ser “humilde de espirito” é negar a autossuficiência e ter uma opinião correta de si mesmo, conforme Romanos 12:3, que diz: “Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Ter humildade é reconhecer nossa total dependência de Deus, estar ciente de nosso estado pecaminoso e consequentemente perdição e desesperança à parte de Deus.
A primeira bem-aventurança já nos mostra que mesmo o mais piedoso entre todos os crentes, não deve se gloriar de sua espiritualidade, pois, ser humilde é primeiramente reconhecer que não podemos fazer nada de bom, sem a ajuda de Deus e que na verdade não temos poder em nós mesmos para cumprir o que Deus requer de nós, antes, viver de forma que agrada a Deus é viver na dependência de Deus.
“Porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3b). A promessa do reino dos céus para os humildes de espírito comprova que para um pecador ser salvo é necessário antes de tudo reconhecer seus próprios pecados e a insuficiência pessoal para se chegar até Deus. Lucas 19:10 declara: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”; ou seja, todos na verdade estão perdidos e apenas os que reconhecem essa condição poderão ser achados por Cristo. Cristo veio buscar o pecador perdido. Nós não fomos até o céu para buscar Jesus, antes, Ele veio a este mundo, morrer pelos nossos pecados para nos conduzir até o céu.
“Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito” (I Pedro 3:18). Portanto, o reino dos céus, é um rico e gracioso presente concedido àquele que reconhece sua total falência espiritual, crendo completa e unicamente em Cristo Jesus como meio de acesso a Deus.
Sendo Deus sábio e gracioso, deu seu Filho Jesus Cristo para morrer pelos pecadores e realizar a obra completa da salvação, sem ajuda humana (pois na verdade não existe nada que poderíamos fazer), para que toda glória seja dada apenas ao Deus Trino. Quanto a nós: “Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluída” (Romanos 3:27). Todo aquele que foi alcançado pela graça de Deus, em Cristo, após reconhecer sua insuficiência e perdição, acaso não deveria viver sempre para glória de Deus, tendo a humildade como grande evidência em sua vida? Vigiemos e sejamos humildes “porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça.” (I Pedro 5:5).
“Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Romanos 11:36).



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Um Natal Bíblico


Na mente de muita gente, o relato do Natal parece um conto de fadas. É emocionante, bonito e desperta bons sentimentos. O casal José e Maria, os reis magos e as figuras angelicais são lembrados como meros coadjuvantes, de um episódio onde o protagonista, ainda infante, encanta e inspira simplicidade.   
Essa forma de imaginar o Natal é tão comum, de tal maneira, que muitos tendem a considerar a narrativa do nascimento de Cristo, na mesma categoria de textos de ficção. Além disso, na mídia e no mercado, tanto brilho e ornamentação, geralmente ofuscam o verdadeiro significado do Natal.
Então, o que a Bíblia revela sobre o nascimento de Jesus Cristo, o grande Natal? O Natal bíblico tem importantes fundamentos. Dois deles: o fundamento histórico e o teológico.
O nascimento de Cristo tem endereço no tempo e no espaço e ocorreu como fato histórico verídico. O Natal bíblico tem um fundamento na história, sim; mas não para por aí, pois esse mesmo acontecimento também tem fundamento na teologia. Além de ter registro no tempo e no espaço, tem lugar dentro do plano de Deus. Não se limita a um grande momento da história humana, mas abrange o clímax do propósito divino. Aquele Natal, na terra da Judeia, dominada pelos romanos, durante um recenseamento da população do império, apontava para a ocorrência entre os homens, de um evento que já estava agendado na eternidade.
 O primeiro recenseamento de César Augusto conduziu Maria para Belém, justamente quando ela estava no nono mês de gestação. Enquanto o imperador romano, em seu governo provisório, movia uma gigantesca estrutura política e social, visando manter seu domínio entre os homens na terra; nos céus, Deus, em seu governo providencial, sem esforço, soberanamente cumpria sua promessa do grande Natal. Um esplêndido testemunho bíblico de que às “mãos dos césares”, nunca estiveram e jamais estarão fora do controle das “mãos de Deus”.
O Natal bíblico mostra que história e teologia estão entrelaçadas de maneira indissociável. Como anotou o escritor John G. Mechan: “Cristo Morreu – isto é história; Cristo morreu pelos nossos pecados – isto é doutrina. Sem estes dois elementos, conjugados em união absolutamente indissolúvel, não há Cristianismo”.
Nas festividades natalinas, corremos o risco de que essas ocasiões sirvam apenas para reunir a família com deliciosas comidas na mesa, trocar presentes entre amigos e tirar fotos (já pensando nas redes sociais) em meio às decorações caprichadas.
Por isso, estejamos atentos, para que o nosso Natal exulte o nome e celebre a obra daquele que esteve numa humilde manjedoura, foi humilhado numa horrenda cruz, mas ressuscitou em glória, garantido que todo aquele que nEle crê desfrute pessoalmente de um segundo momento natalício: o do novo nascimento em Cristo Jesus!

Desejo-lhe um Feliz Natal!

Pr. Charles Nascimento